17/5/09
Comunidades de Prática - CoPs
WENGER, E. ( 2001) COMUNIDADES DE PRÁTICA – APRENDIZAJE, SIGNIFICADO E IDENTIDAD – COGNICIÓN E DESARROLLO HUMANO – PAIDÓS- BARCELONA – ESPANHA.
Etienne Wenger é Líder do pensamento no campo da teoria da aprendizagem e a sua aplicação aos negócios corporativos. Através de um estudo pioneiro, definiu as premissas das “comunidades de prática”, conceito que vem revolucionando o modo de pensar a gestão de conhecimento nas organizações.

Wenger é PhD em Inteligência Artificial pela Universidade da Califórnia em Irvine. Atualmente, é um consultor independente, pesquisador, autor e palestrante.

Segundo Wenger, comunidades de prática são partes integrantes de nossas vidas. Elas são tão informais que raramente se tornam explícitas, porém por esta razão elas são tão familiares. Estão distribuídas nas diversas situações do dia-a-dia das pessoas, seja na escola, seja no trabalho, ou no lazer.
Dentro das comunidades de Práticas, as pessoas trocam experiências. Segundo Wenger, o conceito de prática se refere ao “fazer”dentro de um contexto histórico e social que fornece estrutura e significado para o que é feito. O conceito de comunidade de prática inclui o tácito e o explícito; o que é dito, e o que é deixado de dizer; o que é representado, e o que é assumido. Inclui a linguagem, ferramentas, documentos, imagens, símbolos, regras-bem definidas, critérios específicos, regras e contratos que as várias práticas tornam explícitos para uma variedade das finalidades.
Pela ótica da Teoria Social do Aprendizado, defendia por Wenger, o poder do conceito de aprendizado nas comunidades de prática encontra-se na integração de quatro componentes: o significado, a prática, a comunidade e a identidade
- Significado, que traduz a capacidade ( e necessidade) que temos para encontrar um sentido para o mundo: aprendemos procurando um sentido para a nossa existência – individual e coletiva – no mundo.
- Prática, é a forma de falar de recursos histórica ou socialmente compartilhados, de estruturas que podem sustentar o engajamento mútuo nas ações em organizações de trabalho.
- Comunidade, é a forma de falar sobre as configurações sociais nas quais os empreendimentos são vistos como possuidores de valor e a participação de um membro é reconhecida como competência.
- Identidade, é a maneira de falar sobre como o aprendizado muda a pessoa e cria histórias pessoais de pertencimento no contexto das comunidades que ela participa.
O domínio, área de interesse ou conhecimento, é que determina as atividades que serão realizadas em conjunto. É nele que reside o foco de aprendizado de um empreendimento. Ao lado desse aprendizado específico desenvolvem-se, em cada um dos quatro componentes descritos anteriormente, outros tipos de aprendizado: na comunidade, aprende-se também como pertencer a um empreendimento; na prática, desenvolve-se o aprendizado de como fazer determinada atividade; a negociação de significados articula os aprendizados sobre como experimentar novas e diferentes visões sobre um determinado assunto; no desenvolvimento da identidade, estão os aprendizados sobre como se tornar uma determinada pessoa.
Prática e Significado
No que se refere ao relacionamento entre prática e significado, interessa notar que o significado se constrói, pela prática, no seio de um processo de negociação de significados. Quando lemos um livro, estamos a negociar com o autor a nossa compreensão do que ele pretende oferecer-nos e é desse processo que nasce o que aprendemos no livro. O mesmo acontece quando nos sentamos ao computador e procuramos interagir com um ambiente de aprendizagem à distância, é por um processo de negociação de significados que vamos progredindo na nossa aprendizagem. O mesmo acontece numa sala de aula.
Segundo Wenger, essa negociação decorre da interação entre dois processos. O processo de participação e o processo de reificação. Nas salas de aula da escola da Sociedade Industrial há um grande desequilíbrio entre participação e reificação , que reforça fortemente a segunda. Os professores seguem um programa já estabelecido, respeitando regras normalizadas, de acordo com livros adotados. Infelizmente, deixou-se muito pouca margem para a participação, o aluno da escola da Sociedade Industrial participa pouco na construção da sua própria aprendizagem e da aprendizagem dos colegas com quem partilha o ano escolar. Limita-se, em muitos casos, a ouvir passivamente o discurso reificado do professor. Nenhum processo de aprendizagem prescinde de participação e de reificação, a participação e a reificação formam uma dualidade fundamental para a experiência humana, mas a grande dificuldade está em encontrar o justo equilíbrio. Esse é, de fato, um dos grandes desafios que se colocam a escola do futuro.
Prática e Comunidade
Como se expressa a prática na sua ligação com a comunidade?
A resposta, de acordo com Wenger, encontra-se em três dimensões fundamentais: empenhamento mútuo, empreendimento partilhado e repertório partilhado.
Comecemos pelo empenhamento mútuo. É muito difícil que um conjunto de pessoas participe na construção de uma comunidade se não estiverem mutuamente empenhadas. Para que isso aconteça, é necessário reconhecer a diversidade dos envolvimentos, permitir a construção dos relacionamentos, aceitar a complexidade social e assegurar que ela pode ser gerida e mantida. Se queremos constituir uma comunidade e pô-la a construir coletivamente o seu saber, que também se traduz na construção de saberes individuais, temos que garantir empenhamento mútuo.
Para além do empenhamento mútuo é também necessário, segundo Wenger, que se reconheça que se partilha um empreendimento. E essa partilha pressupõe, necessariamente, negociações. Impõe também, o reconhecimento de responsabilidades mútuas. Cabe talvez recordar como nas escolas da Sociedade Industrial os alunos, por falta de preparação, raramente sabem aceitar as suas responsabilidades e se revelam incapazes de as negociar entre si, gerindo os conflitos correspondentes. Naturalmente, o empenhamento coletivo pressupõe, também, espaço para interpretações e respeito pela necessidade de ritmos adequados.
Uma última dimensão defendida por Wenger como essencial para a prática em comunidade é a da existência de um repertório, partilhado, de histórias vividas em conjunto, de estilos, de artefatos, usados em comum, de ações empreendidas, de conceitos compartilhados na Vivência coletiva. De fato, para que uma comunidade se reconheça como comunidade tem ter histórias. Os seus membros têm que poder lembrar-se daquilo que viveram e construíram em conjunto. Quem tem responsabilidade na construção de comunidades, e em particular de comunidades de aprendizagem, tem de cuidar, criteriosamente, de assegurar que elas podem construir a sua própria história.
Prática e Identidade
Na dualidade entre prática e identidade, tal como Wenger a comenta, a prática tem um caráter mais coletivo, enquanto que a identidade tem uma índole mais individual, mais ligada à construção do eu. Prática e identidade têm, contudo, natureza muito próximas.
Na prática privilegiamos a negociação do significado ( em termos de participação e reificação). Na prática partilhamos atividades numa comunidade; na construção da identidade criamos um sentido de pertença a comunidade. Na prática geramos, de forma coletiva histórias de aprendizagem; na construção da identidade geramos trajetórias individuais de aprendizagem. Na prática identificamos paisagens e fronteiras entre os diversos momentos e espaços dessa prática; na construção da identidade definimos sentidos de pertença a múltiplas comunidades ( levando para cada comunidade as vivências que construímos noutras comunidades e influenciando, assim, as práticas numas e noutras). Na prática vamos tecendo constelações de práticas, decorrentes da diversidade das nossas experiências; na construção da identidade reconhecemos a nossa pertença ao que é local, mas procuramos em permanência inscrever essa pertença no que é global.
Criar comunidades de aprendizagem
Segundo Etienne Wenger, as teorias sociais de aprendizagem, que nos auxiliam a compreender a aprendizagem em comunidade, constroem-se na intersecção entre dois eixos:
- um eixo vertical, que exprimi a tensão entre as teorias que privilegiam a estrutura social (instituições, normas, regras, sistemas culturais, história) e as que privilegiam a ação ( dinâmicas relacionais, improvisação, coordenação, atividades); e
- um eixo horizontal, que procura interligar as teorias da prática social ( coordenação e partilha de recursos em sistemas sociais) e as teorias da identidade ( formação social da pessoa, experiências, ritos de passagem, categorias sociais)
Temos assim, um espaço de teorias sociais da aprendizagem com quatro extremos. As inúmeras combinações possíveis entre estes extremos dão, assim, corpo as diversas tonalidades do nosso espaço de teorias:
- Teorias da coletividade - abordam a formação de diversos tipos de configurações sociais, desde as configurações locais ( família, comunidade, grupos, redes) até as configurações globais ( classes sociais, estados, associações, movimentos sociais, organizações)
- Teorias da subjetivamente abordam a natureza da individualidade como experiência e tenta explicar como surge a experiência da subjetividade a partir do compromisso com o mundo.
- Teorias do poder - a questão do poder é fundamental na teoria social. As distintas formas de poder em uma sociedade interagem entre si, as vezes reforçando mutuamente e as vezes criando espaços de resistência.
- Teorias do significado – tentam explicar como as pessoas produzem significado por sua conta.
Reconhecendo assim que todo processo de aprendizagem é também um processo de construção no nosso relacionamento com o mundo.
Tendo em vista que o conhecimento e a aprendizagem têm um caráter social e são construídos por indivíduos, as Comunidades de Práticas tendem a ter identidade própria e, se bem desenvolvida, podem desenvolver uma linguagem própria permitindo aos membros uma melhor comunicação e afirmação na identificação.
O objetivo de participar desse “novo local”é uma necessidade autêntica de aprender com outros membros em um ambiente de aprendizagem forte, que tem como base a troca de informações.
Ao apoiar a formação desse tipo de comunidade, a instituição, tende a verificar o conhecimento de modo estratégico que pode ser revertido na prática docente e gestora, pois tem a tendência de ser construído e gerido na ação ( dados trazidos para a discussão) para a reflexão ( gestão do conhecimento construído) e no retorno a prática.
Gerir e compartilhar conhecimento faz parte do conceito de Comunidade de Prática.
A oferta de ambientes de aprendizado confiáveis e a oportunidade de contactar pessoas com interesses, formação da idéia, desafios, problemas ou motivações similares podem ser um dos atrativos desse tipo de comunidade, alia a valorização da participação e a iniciativa individual.
Comunidades de Prática (CoP) são “locais”de participação em que os membros compartilham um entendimento relativo ao que fazem ou conhecem, trazendo uma significação e/ou re-significação para as vidas particulares e para outras comunidades (Wenger).
Cada vez mais deve fazer parte da agenda escolar da educação o envolvimento dos alunos em práticas que tenham como elementos constitutivos domínios de trabalho significativos, isto é, em que o engajamento dos alunos seja justificado não apenas pela necessidade de cumprir uma dada estrutura curricular mas em que exista interesse por esses conteúdos e das relações destes com outros conteúdos específicos.
Compreender a relevância da idéia de comunidade de prática na educação, como elemento que ajuda a perceber a aprendizagem, exige essencialmente reconhecer aquilo que está envolvido na idéia de pertença a uma comunidade de prática
Enfim, a educação dos nossos dias decorre, e pode decorrer cada vez mais, em espaços comunitários. As nossas salas de aula e as nossas escolas reúnem, já, várias das condições necessárias para, se nos empenharmos, as transformarmos em efetivas comunidades de aprendizagem. Cabe assim conciliar conteúdos reificados com contextos de participação que permitam dar-lhes sentido. Cabe valorizar as oportunidades da procura de significado, da prática, da comunidade, da procura de identidade. Cabe suscitar o empenhamento mútuo, os empreendimentos partilhados, os repertórios compartilhados. Cabe finalmente promover o empenhamento, dar espaço a imaginação.
CONCEITO DE PRÁTICA, SIGNIFICADO E COMUNIDADE
Prática e Significado
No que se refere ao relacionamento entre prática e significado, interessa notar que o significado se constrói, pela prática, no seio de um processo de negociação de significados.
Segundo Wenger, essa negociação decorre da interação entre dois processos. O processo de participação e o processo de cosificação . Nas salas de aula da escola da Sociedade Industrial há um grande desequilíbrio entre participação e cosificação , que reforça fortemente a segunda. Os professores seguem um programa já estabelecido, respeitando regras normalizadas, de acordo com livros adotados. Infelizmente, deixou-se muito pouca margem para a participação, o aluno da escola da Sociedade Industrial participa pouco na construção da sua própria aprendizagem e da aprendizagem dos colegas com quem partilha o ano escolar. Limita-se, em muitos casos, a ouvir passivamente o discurso cosificado do professor. Nenhum processo de aprendizagem prescinde de participação e de cosificação, a participação e a cosificação formam uma dualidade fundamental para a experiência humana, mas a grande dificuldade está em encontrar o justo equilíbrio. Esse é, de fato, um dos grandes desafios que se colocam a escola do futuro.
Prática e Comunidade
Como se expressa a prática na sua ligação com a comunidade?
A resposta, de acordo com Wenger, encontra-se em três dimensões fundamentais: compromisso mútuo, empreendimento partilhado e repertório compartilhado.
Comecemos pelo compromisso mútuo. É muito difícil que um conjunto de pessoas participe na construção de uma comunidade se não estiverem mutuamente empenhadas. Para que isso aconteça, é necessário reconhecer a diversidade dos envolvimentos, permitir a construção dos relacionamentos, aceitar a complexidade social e assegurar que ela pode ser gerida e mantida. Se queremos constituir uma comunidade e pô-la a construir coletivamente o seu saber, que também se traduz na construção de saberes individuais, temos que garantir compromisso mútuo.
Para além do compromisso mútuo é também necessário, segundo Wenger, que se reconheça que se partilha um empreendimento. E essa partilha pressupõe, necessariamente, negociações. Impõe também, o reconhecimento de responsabilidades mútuas. Cabe talvez recordar como nas escolas da Sociedade Industrial os alunos, por falta de preparação, raramente sabem aceitar as suas responsabilidades e se revelam incapazes de as negociar entre si, gerindo os conflitos correspondentes. Naturalmente, o empenhamento coletivo pressupõe, também, espaço para interpretações e respeito pela necessidade de ritmos adequados.
Uma última dimensão defendida por Wenger como essencial para a prática em comunidade é a da existência de um repertório, partilhado, de histórias vividas em conjunto, de estilos, de artefatos, usados em comum, de ações empreendidas, de conceitos compartilhados na Vivência coletiva. De fato, para que uma comunidade se reconheça como comunidade tem ter histórias. Os seus membros têm que poder lembrar-se daquilo que viveram e construíram em conjunto. Quem tem responsabilidade na construção de comunidades, e em particular de comunidades de aprendizagem, tem de cuidar, criteriosamente, de assegurar que elas podem construir a sua própria história.

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